O trabalho com peixes mudou a vida de Jaira da Silva, agricultora familiar que transformou sua propriedade em referência de produção sustentável e cooperativismo. Desde 2004, ao lado do marido, Rosildo Rodrigues, ela decidiu reinventar a piscicultura da família, passando da venda de peixes in natura para o processamento e comercialização em feiras locais.
O negócio cresceu e, em 2007, Jaira participou da fundação da Coopergrão, cooperativa que reúne produtores de peixe, hortaliças e feijão. Hoje, ela ocupa a presidência da entidade e defende a complementaridade entre os alimentos: “Onde tem peixe, tem que ter tempero”, costuma dizer.
A cooperativa se consolidou como espaço de geração de renda e autonomia para dezenas de famílias da agricultura familiar. Além de abastecer feiras e mercados, os cooperados também fornecem alimentos para programas de alimentação escolar, como o PEA e o PNAE, garantindo qualidade e segurança alimentar para estudantes da região.
Na rotina da família, o peixe continua sendo protagonista. Três vezes por mês, Jaira e seus parceiros realizam a pré-limpeza — abate, resfriamento, escamação e evisceração — para entregar ao consumidor um produto pronto e seguro. A demanda por cortes sem espinha exige organização e dedicação, características que marcam o trabalho coletivo da cooperativa.
Mãe, empresária e líder comunitária, Jaira resume sua trajetória em jornadas intensas de trabalho e planejamento. “Durmo pouco, penso muito e caminho bastante”, afirma. Entre peixes, hortaliças e feijão, construiu não apenas uma cooperativa, mas uma história de autonomia, alimento e esperança.
(Entrevista realizada em 21 de dezembro de 2025, no Km 27 da estrada Brasileia-Assis Brasil – BR-317, estrada do Pacífico – Texto e fotos: Cristina da Silva e Marcos Jorge Dias)






