Projeto Copaíba: Sustentabilidade e Comércio Justo na Floresta

Em 2009 o Centro dos Trabalhadores da Amazônia – CTA coordenou o Projeto de avaliação do potencial de extração e comercialização do óleo-resina de  Copaíba (Copaifera spp.) nas comunidades Porto Dias e Santa Quitéria, localizadas na município de Acrelândia – Acre. A ação fez parte do projeto “Apoio ao Comércio Justo e Solidário de Óleo de Copaíba Manejada e Certificada”.

Objetivos do Projeto
Apoiar a formação de preço do óleo de copaíba manejado e certificado
Ajustar os custos de produção com assessoria técnica
Promover o uso sustentável de recursos florestais não madeireiros

Extrativistas da comunidade Porto Dias
Foto: acervo CTA

Integrar as comunidades como coprodutoras do próprio desenvolvimento

Desafios e Oportunidades

Os moradores dos Projetos de Assentamento Extrativista (PAE) Porto Dias e Santa Quitéria, majoritariamente seringueiros, trabalhavam sob o modelo tradicional de extrativismo. A exploração intensa de poucos produtos, como o óleo de copaíba, tem se mostrado anti-econômica e insustentável, levando parte da população a migrar para atividades como agricultura e pecuária, que ameaçavam –  e ainda ameaçam –   a cobertura florestal.
Apesar disso, a copaíba continua sendo uma fonte relevante de renda, especialmente com o crescimento da demanda no setor de cosméticos, tanto no Brasil quanto em países asiáticos. No entanto, sua comercialização in natura ainda é marginalizada em relação a outros produtos como a castanha e a borracha.

Manejo Sustentável e Diversificação

A proposta do projeto foi incentivar o uso múltiplo de produtos florestais não madeireiros, como resinas, gomas e óleos, respeitando o contexto social dos seringueiros e viabilizando economicamente as áreas de floresta habitadas.
Segundo Peters (1996), embora a extração de recursos como látex e resinas possa ser sustentável em teoria, na prática ela pode causar impactos ecológicos significativos se mal conduzida. Por isso, o projeto também se preocupava com:
Monitoramento ecológico;
Técnicas de manejo adequadas;
Formação comunitária para uso responsável dos recursos.

Plano de Custos e Formação de Preço

A implementação do plano de custos para o manejo da copaíba teve como foco:
Aperfeiçoar os custos de produção;
Identificar viabilidades econômicas;
Estabelecer normas para comercialização;
Capacitar os moradores na formação de preço.

Comunidade como Protagonista

Mais do que garantir a subsistência, o projeto buscava integrar os comunitários e comunitárias como protagonistas do desenvolvimento sustentável. A ideia era que o uso consciente dos recursos florestais não madeireiros pudesse contribuir para a preservação da floresta, ao mesmo tempo em que gerasse renda e melhoria da qualidade de vida.

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